Peter Schmeichel, o grande dinamarquês

Quem foi o melhor goleiro de todos os tempos? A discussão é interminável e apresenta grandes candidatos, mas Peter Schmeichel sempre será um dos favoritos da lista. O goleiro dinamarquês conquistou inúmeros títulos por onde passou, e mostrou-se para o mundo no Manchester United, onde jogou por oito anos. Com seus 1,93m de altura, fazia defesas elásticas e inacreditáveis. Além de também ter marcado alguns golzinhos, Schmeichel ganhou vários prêmios e marcou seu nome na história.

 

Ainda na Dinamarca, Schmeichel começou a justificar o apelido que receberia de “The Great Dane” (O Grande Dinamarquês). Começou jogando por pequenos times de juniores em seu país, e já foi ganhando história para contar. Sua estréia foi pelo Gladsaxe-Hero, quando o clube já estava rebaixado para a terceira divisão e ainda faltavam três jogos para o campeonato terminar.  O clube perdeu de 1 a 0, mas Schmeichel recebeu menções no jornal pela sua boa performance. Na temporada seguinte, o Gladsaxe-Hero estava novamente em uma situação ruim, e precisava não perder para o Stubbekobing para evitar o rebaixamento. Ao que consta, Schmeichel fez um partida fantástica e seu time venceu.

 

 

O goleiro começou a chamar atenção, e aos 20 anos foi para o Hvidovre, da segunda divisão dinamarquesa. Lá, jogou duas temporadas. Na primeira, o time caiu para a terceira divisão, apesar de ser a 5ª melhor defesa do campeonato (40 gols em 30 jogos). Na temporada seguinte, o time voltou à segunda divisão, e Schmeichel foi contratado pelo Brøndby, um time da primeira divisão e um dos mais vitoriosos da Dinamarca, para a temporada de 1986/1987. Foi esse o período mais “artilheiro” de Schmeichel. O goleiro não batia faltas nem pênaltis, mas era conhecido por ir para a área tentar o gol nos momentos finais da partida, caso seu time estivesse com um mau resultado. E fazia isso muito bem. Marcou 11 gols em sua carreira: seis pelo Hvidovre, dois pelo Brøndby, um pelo Manchester United, um pelo Aston Villa, e um pela seleção da Dinamarca, em um amistoso (este único de pênalti).

 

Naquela época, o futebol não era profissionalizado na Dinamarca, e Schmeichel tinha outros empregos, além de goleiro. Essa situação só acabou quando ele fechou o contrato com o Brøndby.

Em seu novo clube, começou a colecionar títulos. Em 87, ano que chegou, o time venceu pela segunda vez em sua história o campeonato dinamarquês. E conseguiu uma campanha história na Champions League, avançando até as quartas-de-final, onde perdeu para o Porto (que seria campeão). Com Schmeichel, o Brøndby ainda conquistaria mais 4 títulos. Além do título de 87, o clube foi campeão dinamarquês em 88, 90 e 91, ano em que Schmeichel deixou o clube. Em 89, para compensar a “falta” do Campeonato, o Brøndby levou a Copa da Dinamarca. No ano de sua saída, o goleiro ainda conseguiu levar a equipe à semifinal da UEFA Cup, quando perdeu para a Roma.

 

Também em 87, Schmeichel foi chamado para a seleção da Dinamarca, e inclusive jogou uma partida da Eurocopa de 88¹. A seleção perdeu as três partidas e não passou da primeira fase, o que seria compensado 4 anos mais tarde.

A Dinamarca à princípio não participaria da Euro 92. Eles não haviam se classificado, ficando um ponto atrás da Iugoslávia. Mas o destino sorriu para os dinamarqueses. Como a Iugoslávia vivia um momento político conturbado², a UEFA chamou a Dinamarca para jogar a Eurocopa. Pegos de surpresa, o time dinamarquês foi para a Suécia (sede da competição) sem qualquer preparação prévia ao torneio.

No primeiro jogo, a Dinamarca empatou sem gols com a Inglaterra, enquanto França e Suécia (os outros times do grupo) empataram em um a um. No segundo jogo, foram Inglaterra e França que empataram em zero a zero, e a Dinamarca perdeu por 1 a 0 da Suécia, complicando as chances de classificação. Para a última partida, a Suécia liderava com 3 pontos, Inglaterra e França tinham 2, e a Dinamarca apenas 1.³ Para não depender de saldo de gols, a Dinamarca precisava vencer a França e torcer para a Suécia contra a Inglaterra. E foi o que aconteceu, com os dois placares terminando em 2 a 1.

 

Nas semifinais4, a Dinamarca empatou em 2 a 2 com a Holanda, e o jogo teve que ser resolvido nos pênaltis. Na segunda cobrança holandesa, Van Basten foi para a bola e chutou no canto direito. Schmeichel defendeu. Ninguém mais errou em nenhum dos lados, e a Dinarmarca foi para a final contra os alemães, que haviam vencido a Suécia por 3 a 2.

Na final, os dinamarqueses abriram o placar com Jensen aos 18 minutos, com um chute forte da entrada da área em uma bola rolada para trás. O segundo gol veio com Vilfort, aos 78. Depois de uma dividida de cabeça no meio, a bola sobrou para Vilfort, que driblou dois jogadores alemães com um corte pra dentro. Chutou com a esquerda e a bola ainda tocou a trave antes de entrar. 2 a 0, e fim de jogo. A Dinamarca, que nem havia se classificado, tornou-se campeã européia de 1992.

 

Manchester United (1991-1999)

A partir de 91, vieram os anos de ouro para Schmeichel. Deixou o Brøndby e foi para o poderoso Manchester United, da Inglaterra, por apenas 675 mil libras5. Alex Ferguson comentou, anos mais tarde, que esta foi “a barganha do século”. Em sua primeira temporada (1991/92), o Manchester ficou em segundo lugar no campeonato inglês, e conquistou a Copa da Liga Inglesa, em cima do Nottingham Forest, pela primeira vez. E Schmeichel, após ajudar a Dinamarca a conquistar a Euro 92, ainda foi escolhido como melhor goleiro do mundo de 1992.

 

 

Na temporada 1992/93 (ano de inauguração da Premier League), Schmeichel ajudou o Manchester a ser campeão inglês, o que não acontecia há 26 anos.  O goleiro conseguiu 22 “clean sheets” no campeonato, ou seja, 22 jogos sem tomar gol. Recebeu novamente o título de melhor goleiro do mundo, prêmio que ainda receberia em 97 e 99. Na temporada seguinte (93/94), veio o bicampeonato e a conquista da FA Cup.

Em 1994/95, os dois campeonatos viraram dois vices. Por um ponto, o Manchester ficou atrás do Blackburn, e perdeu a FA Cup para o Everton. Mas os títulos não demorariam a voltar para às mãos dos Red Devils. Em 1995/96, o Manchester foi novamente campeão inglês e campeão da FA Cup (em cima do Liverpool, com gol de Cantona).

 

Em 96, Schmeichel voltou a defender sua seleção em uma Eurocopa. Mas dessa vez, a Dinamarca não passou da primeira fase, empatando com Portugal, perdendo da Croácia, e vencendo a Turquia. Dois anos antes, em 94, a seleção dinamarquesa havia colecionado outro fracasso, não conseguindo a classificação para a Copa.

O Manchester, por sua vez, possuía um ótimo time, e mais uma vez conseguiu o bicampeonato inglês. No ano seguinte, novamente foi vice por apenas um ponto, dessa vez para o Arsenal. Mas a temporada seguinte (98/99) prometia fortes emoções para o clube de Schmeichel.

Porém, havia uma Copa do Mundo no meio do caminho. A Dinamarca estava em um grupo fácil, com França, África do Sul, e Arábia Saudita. Classificou-se em segundo do grupo, atrás dos franceses. Nas oitavas, pegou a Nigéria, e venceu com tranquilidade, 4 a 1. Nas quartas, enfrentou o Brasil. Fez um bom jogo, mas acabou perdendo por 3 a 2, com Rivaldo fazendo o gol da vitória.

 

 

A campeonato inglês da temporada 1998/99 veio como vingança para o United. Dessa vez foram eles os campeões: com um ponto a mais que o Arsenal. O Manchester também venceu a FA Cup, por 2 a 0, sobre o Newcastle. Mas o título mais importante ainda estava por vir. O Manchester só havia sido campeão europeu uma vez, em 68, e seria novamente em 99. E a última partida de Schmeichel pelo clube não poderia ser mais emocionante. O Manchester perdia para o Bayern de Munique por 1 a 0, até os minutos finais do jogo. Em um escanteio, Schmeichel foi para a área e dividiu de cabeça. Após certo bate-rebate, a bola sobrou para Teddy Sheringham empatar. Aos 93 minutos, novo escanteio para o time inglês. Dessa vez, Schmeichel ficou em sua baliza, mas não foi necessária sua presença. Após um desvio de cabeça, a bola sobrou para Solskjær marcar. Aos 93 e meio, o árbitro encerrou a partida, a última de Schmeichel pelo United.

 

Pós-United (1999-2003)

Schmeichel, já com 36 anos, estava cansado do ritmo intenso de jogos da Premier League. Então, acertou sua ida para o Sporting, de Portugal. Logo em sua primeira temporada por lá (1999/2000), ajudou o time a conquistar o campeonato português, o que não acontecia há 18 anos. Também conquistou a Supercopa de Portugal, no mesmo ano. Na temporada seguinte, ficou com o Sporting na 3ª colocação.

Seu contrato expirou, e o Aston Villa lhe fez uma oferta para voltar à Premier League. Apesar de ter saído há apenas dois anos pelo excesso de jogos, resolveu voltar. O Aston Villa terminou em oitavo, mas Schmeichel se tornou o primeiro goleiro a fazer um gol na Premier League6 (o gol que fez pelo Manchester United foi na UEFA Cup).

 

 

Na temporada 2002/03, Schmeichel foi para o Manchester City, rival histórico do United, onde o goleiro fez grande parte da sua carreira. Aos poucos foi deixando a titularidade por conviver com muitas lesões, e decidiu encerrar a carreira ao final da temporada, com 39 anos. Schmeichel conseguiu um feito incrível atuando pelos dois ‘Manchester’. No United, nunca perdeu uma partida para o City (os Red Devils ficaram 14 anos sem perder). Quando foi para o City, ajudou o clube a quebrar o tabu, e vencer os diabos vermelhos. Schmeichel jamais perdeu uma partida do clássico, não importa em que lado jogou.

Schmeichel ainda alcançou outras grandes marcas em sua carreira. Foi o jogador dinamarquês que mais vezes atuou pela sua seleção, 129 vezes. Na Premier League, Schmeichel possui uma estatística incrível. De todos seus jogos no campeonato, ele não levou gol em 42% deles!

Talvez não houvesse apelido melhor para Schmeichel, e para o que ele representou. O Grande Dinamarquês foi grande. Muito grande.

(A ‘menos pior’ compilação de defesas que encontrei)

Notas:
¹ A Dinamarca perdeu os dois primeiros jogos para Espanha e Alemanha. Schmeichel jogou o terceiro jogo, quando a Dinamarca possuía apenas chances remotas de se classificar, mas perdeu de 2 a 0 para a Itália.
²Eslovênia, Croácia, Bósnia e Macedônia buscavam suas independências da Iugoslávia, e foram rebatidas com muita violência e guerras que duraram anos. Apenas contra a Macedônia não houve reação militar.
³ Naquela época a vitória valia 2 pontos.
4 A Eurocopa 92 possuía dois grupos de 4 seleções, onde passavam os dois primeiros de cada grupo para fazer as semis.
5 Segundo o Transfer Markt; outros sites falam em valores de £530 mil e £500 mil.
6 Na derrota para o Everton, por 3 a 2.
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Uma resposta para Peter Schmeichel, o grande dinamarquês

  1. Cadu disse:

    Ah mlk!!! Boto um post pro Schumi!!
    Ta de parabéns!

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