A zebra rastafári

Segundos após a maior vitória da sua carreira, Dustin Brown se virou para o box, ergueu um pouco a camisa e bateu na grande tatuagem do ídolo Bob Marley. O script da grande zebra de Wimbledon 2015 passa longe do lugar comum. Alemão filho de pais jamaicanos, Dustin Brown foi à quadra central para enfrentar Rafael Nadal ciente de que o que viesse seria lucro. Com uma tática muito bem executada e a confiança lá em cima, o número 103 do mundo superou o espanhol em quatro sets para avançar à terceira rodada do torneio.

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Aula Tática

Quando se enfrenta um tenista de ranking tão superior, é fundamental uma estratégia bem definida para reduzir a diferença entre os jogadores e buscar uma vitória improvável. No caso de Nadal, muitos jogadores apostam na velha tática de explorar o backhand do espanhol. Acontece que isso não basta para vencê-lo mesmo em uma fase ruim.

Dustin Brown é um dos poucos jogadores do circuito que prioriza a estratégia de saque e voleio, quase esquecida com cada vez mais jogadores sólidos de fundo de quadra. Novak Djokovic, por exemplo, utiliza o saque e voleio somente em momentos esporádicos para surpreender seu adversário.

No jogo de hoje, Dustin Brown executou o saque e voleio em 99 (noventa e nove) oportunidades, ganhando o ponto em 75 delas. Com um serviço afiado quase o tempo todo, Brown conseguiu ganhar muitos games de saque com tranquilidade. Mais do que isso, o alemão não deu ritmo a Nadal, já que pouco havia trocas de fundo de quadra. Brown manteve a estratégia também no saque do espanhol, com devoluções agressivas e muitas subidas à rede. Isso minou a confiança de Nadal, que tinha dificuldade de colocar o primeiro serviço em quadra e não estava com bom aproveitamento no forehand. O tenista alemão também investiu muito em drop shots, que, além de tirarem o ritmo da troca de bolas, desgastou o atual número 10 do mundo.

E agora, Nadal?

Poucas vezes Rafael Nadal chegou tão desacreditado a um Grand Slam. Depois de perder para Djokovic em Roland Garros sem oferecer resistência, poucos acreditavam que Nadal poderia brigar pelo título em Londres, jogando no piso que menos favorece seu jogo.

É evidente que a derrota acende uma luz amarela para o espanhol, que até aqui em 2015 não conseguiu ir além das quartas de final em torneios do Grand Slam e soma apenas dois títulos no ano.

Nadal já “ressurgiu” em outras oportunidades e mesmo que se aposentasse amanhã estaria entre os 10 maiores tenistas de todos os tempos, mas será importante acompanhá-lo nos próximos meses para saber se essa má fase é algo passageiro. É sabido que o jogo do espanhol exige demais fisicamente e a idade pode começar a pesar, já que Nadal completa 30 anos em 2016. Federer, beirando os 34, segue desfilando pelas quadras, embora não vença um Grand Slam desde 2012.

Nadal e Wimbledon

Campeão em 2008 e 2010, Nadal está distante das glórias passadas na grama de Londres. Com a derrota, ele mantém uma sequência desagradável. Desde 2012, vem sendo derrotado por “zebras”, caindo para Lukas Rosol em 2012 na segunda rodada, Steve Darcis em 2013 na primeira e Nick Kyrgios em 2014 já nas oitavas de final, na derrota que pode ser considerada menos doída, já que o australiano vem se firmando como uma das grandes revelações do tênis.

PS. Um aspecto mental que certamente entrou na quadra hoje é o histórico do confronto entre Nadal e Brown: vitória do alemão em Halle no ano passado (também na grama). Sim, Dustin Brown pode encerrar sua carreira sem conquistar nenhum título, mas poderá dizer pra todo mundo que enfrentou Nadal duas vezes e jamais perdeu.

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