Um estranho no ninho

As quartas de final da chave masculina de Wimbledon começaram sem surpresas. Andy Murray passou pelo canadense Vasek Pospisil em sets diretos, assim como Roger Federer, que teve ainda mais facilidade contra o francês Gilles Simon. Na sequência, Novak Djokovic se mostrou muito focado depois do susto que passou contra Kevin Anderson na quarta rodada do torneio. Azar de Marin Cilic, que não viu brechas para evitar a derrota num triplo 6-4.

Até aí nenhuma novidade, cabeças de chave 1, 2 e 3 classificados para as semifinais. A grande notícia do dia é que o quarto cabeça de chave e atual campeão de Roland Garros, Stan Wawrinka, está eliminado do torneio de Wimbledon. Em um jogo de cinco sets (com 11 a 9 no quinto set!), o francês Richard Gasquet mostrou que realmente vive um momento especial e conquistou uma vitória pra lá de merecida contra o tenista suíço. É bem verdade que a temida esquerda de Wawrinka estava menos afiada do que em outras oportunidades. Foram mais de 20 erros não-forçados no chamado golpe de mestre do jogador. Mas há de se dizer que Gasquet contribuiu para isso e teve aplicação tática durante a partida, variando bem seu saque e utilizando slices para tirar o ritmo da troca de fundo de quadra e induzir Wawrinka ao erro. O francês também mostrou desenvoltura nas subidas à rede e mostrou todo o seu repertório para o público da quadra nº 1.

richard-gasquet

Para cravar seu nome na semifinal pela segunda vez (a primeira foi em 2007), Gasquet teve de encarar um de seus fantasmas e mostrar que pode ser consistente em jogos decisivos de Grand Slam. Há 10 anos o mundo do tênis reconhece o talento do francês, mas ele acabou ficando marcado como um jogador de oitavas de final, que acaba fraquejando nos grandes jogos. A atual edição de Wimbledon mostra um novo Gasquet, que já foi testado em três partidas muito duras e teve força mental para se manter focado até o último ponto. Quando o francês se jogou na grama ao término do jogo (foto), ficou claro como era importante para ele estar de volta a uma semifinal de Major e mostrar que pode competir de igual pra igual com os melhores do mundo.

O maior teste sem dúvida vem agora, quando ele enfrenta o número 1 do mundo Novak Djokovic, reconhecidamente um fenômeno do ponto de vista mental. Se tem algo bom em enfrentar o maior favorito ao título, é jogar totalmente solto e sem pressão, o que pode fazer muito bem a Gasquet. No confronto direto, 11 a 1 para o sérvio, sendo que a única vitória do francês aconteceu há oito anos no Masters Finals.

ORG XMIT: USPW-89760           July 8, 2012; London, UNITED KINGDOM;  Roger Federer (SUI) and Andy Murray (GBR) at the trophy presentation on day 13 of the 2012 Wimbledon Championships at the All England Lawn Tennis Club. Federer won 4-6 7-5 6-3 6-4..  Mandatory Credit: Susan Mullane-US PRESSWIRE ORIG FILE ID:  20120708_pjc_au2_271.JPG

Federer x Murray 

Os maiores desafiantes ao título de Djokovic tiveram uma jornada sem sustos. Ambos foram favorecidos pelo sorteio e por isso não foram verdadeiramente testados no torneio. Se por um lado isso é positivo por não gerar cansaço físico e mental, por outro cria uma dúvida sobre qual dos dois está mais preparado para vencer um Grand Slam novamente. Federer vem sacando muito bem e demonstra motivação para conquistar seu oitavo título de Wimbledon. Murray foi dispersivo em alguns momentos do torneio e precisará estar muito focado. Por não carregar mais o fardo de nunca ter vencido em casa, o britânico joga com menos pressão e sabe usar a torcida a seu favor. Esse pode ser um fator importante na partida que tem tudo para ser muito parelha. O equilíbrio entre os dois fica claro no confronto direto, 12 a 11 para Federer. Na grama de Wimbledon, eles decidiram a edição de 2012 e a vitória do suíço veio depois de uma grande virada na partida. Um mês depois daquele jogo, eles se enfrentaram novamente na quadra central, desta vez pela medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Murray chocou o público com um tênis agressivo e muito preciso para impor uma das maiores derrotas da carreira de Federer: 6-2, 6-1, 6-4. Curiosamente, a medalha de ouro em simples é o único grande título que falta na carreira do suíço, que deve buscá-la novamente no Rio de Janeiro em 2016.

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