Cristiano Ronaldo: além da sombra de Messi

Ser contemporâneo de Lionel Messi é tarefa ingrata para qualquer grande craque. Cristiano Ronaldo sente isso na pele a cada semana, quando o argentino insiste em superá-lo e roubar-lhe os holofotes.

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Esta não é a primeira vez na história em que o futebol tem grandes craques disputando o posto de melhor do mundo. Porém, em poucas oportunidades dois jogadores sobressaíram tanto em relação aos demais. Messi e Cristiano são as principais estrelas dos dois clubes mais badalados do mundo na atualidade e seus recordes não deixam dúvidas sobre sua capacidade.

No entanto, o “azar” de Cristiano Ronaldo é que a distância entre ele e o argentino tem aumentado nos últimos anos e não há perspectiva de mudança nesse quadro.

O mais completo de todos

Ser o segundo melhor jogador do mundo disparado definitivamente é menos do que Cristiano imaginava para sua carreira. Obstinado como poucos, o craque se dedicou muito além da média para desenvolver uma técnica apuradíssima, que o torna o jogador de ataque mais completo do futebol mundial em muitos anos. Sim, mais completo. Mais do que Messi, mais do que Ronaldo Fenômeno, mais do que Van Basten…

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Cristiano Ronaldo é um ponta que consegue manter uma média de gols similar à dos maiores centroavantes da história. Faz isso jogando mais longe do gol adversário e participando ativamente da construção de jogadas de ataque do seu time, ajudando seus companheiros com assistências e passes decisivos.

Isso não faz de Cristiano Ronaldo um jogador superior a Ronaldo e Van Basten. Talvez seja, mas isso poderá ser mais bem avaliado quando o português encerrar sua carreira. Alguns dirão que falta a ele ganhar um título importante com sua seleção. Ou que, embora mais completo, Cristiano Ronaldo não tem a mesma genialidade dos outros dois. Vai ser uma disputa boa, apesar de toda a subjetividade que inevitavelmente faz parte desse tipo de discussão.

Messi: um gênio em outro patamar

Quem vai ficar (e já está) fora dessa disputa é Lionel Messi. O argentino, dois anos e meio mais novo que o português, está pleiteando um posto em outra esfera. Uma esfera que, para muitos, só conta com Pelé.

De um ano para cá, o argentino foi alçado a candidato ao posto de melhor jogador da história do futebol antes do que os amantes do esporte poderiam imaginar. Seus recordes são tantos e suas jogadas tão geniais que não é pecado algum levantar uma pontinha de dúvida sobre a possibilidade de Messi superar Pelé.

É fato que, independente de uma comparação com o “Rei do Futebol”, o gênio argentino já está assegurado entre os Deuses da bola.

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Onde fica Cristiano Ronaldo?

Posicionar Messi como um dos melhores da história já não causa estranheza a ninguém. No entanto, se há uma “vítima” do fenômeno Lionel Messi, esse é justamente Cristiano Ronaldo.

Basta pensar que, se não concorresse com o argentino, Cristiano já poderia ter conquistado as mesmas quatro Bolas de Ouro de seu maior rival. Talvez apenas em 2010 não tivesse levado o prêmio, que poderia ir para Sneijder, Xavi ou Iniesta.

Mais do que isso: se não fosse contemporâneo do argentino, Cristiano Ronaldo seria muito mais reconhecido pelo número impressionante de gols que tem com a camisa do Real Madrid (183 em 181 jogos até 20/02/2013).

Com Messi ofuscando seus feitos a cada semana, o português tem de provar mais do que os outros que pode acompanhar de perto o jogador do Barcelona. Afinal, ele é o único que se apresentou como real candidato à coroa nos anos do reinado de Messi.

Tirar o título dele nos próximos anos parece improvável. Cada vez menos se falará em Messi x Cristiano Ronaldo e, à medida que a Copa do Mundo se aproxima, o assunto será Messi x Pelé.

Vamos viver para saber se daqui a 10 anos – quando Messi e Cristiano Ronaldo serão história e não terão mais de se preocupar em marcar 70, 80 ou 100 gols em uma mesma temporada – como o português vai ser definido pelos fãs de futebol. “A sombra de Messi”, “Um dos melhores jogadores do século 21”, “O ponta mais goleador da história”, “Um dos melhores jogadores da história”…

Provavelmente, o português, vaidoso como poucos, ficaria com a última alternativa. Caso ele não chegue a tanto, poderá atribuir grande parte disso ao seu carrasco argentino.

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A escolha de Neymar

Por Kim Paiva

A escolha de Neymar

Desde agosto de 2010 se discute o futuro de Neymar. No meio do ano passado, ele teve uma proposta concreta do Chelsea, trazida pelo empresário Wagner Ribeiro. Na ocasião, o Santos conseguiu segurar o craque graças a um grande aumento salarial. Porém, o assédio a Neymar cresceu muito depois da tentativa frustrada dos ingleses, principalmente porque a lesão de Ganso fez com que o atacante se tornasse a principal estrela do Santos, sem ter de dividir os holofotes com o camisa 10.

Com o rápido desenvolvimento de Neymar, os gigantes Barcelona e Real Madrid passaram a travar um duelo pelo futebol do jogador. Desde o início deste ano, surgiram notícias diversas garantindo que Neymar estava acertado com um dos dois times. Embora o presidente do Santos, Luis Álvaro Ribeiro, garantisse que o Santos tinha um plano para ter Neymar até 2014, parecia ser questão de tempo a ida do craque santista à Espanha.

As previsões, no entanto, não se confirmaram e a jovem revelação assinou o maior contrato do futebol brasileiro para renovar com o Santos até o fim de 2014. Neymar deve receber um valor equivalente ao que ganharia na Espanha e sua multa rescisória já deve passar da casa dos 70 milhões de euros (o valor oficial não foi divulgado).

Ele ficou. "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto! Digam ao povo que fico."

Por que Neymar decidiu continuar no Santos?

A tendência é que Neymar permaneça na Vila Belmiro até o término do contrato, especialmente porque o que tem prevalecido na queda de braço entre Santos e espanhóis é a vontade do jogador, cada vez mais convencido de que o mais certo é continuar no Brasil pelo menos até a Copa do Mundo. Quando se fala em “vontade do jogador”, devemos entender bem quais são os fatores que levaram Neymar a optar pela permanência no Brasil, quando tinha a chance de se transferir para os dois principais times do futebol mundial.

Certamente não foi pelo dinheiro que o jovem optou por seguir no Santos, afinal ele poderia ganhar a mesma coisa ou um pouco mais se decidisse ir para a Europa. Neymar fica porque está feliz no Santos, quer ficar perto da família e do filho pequeno e, principalmente, por estar convencido de que sua situação é mais confortável no futebol brasileiro do que seria nos gigantes europeus, onde ele teria que conquistar seu espaço.

Esse último fator leva a uma constatação importante, ainda mais depois de Neymar ser incluído na lista dos 23 melhores jogadores do mundo em 2011. Aparentemente, o jogador não tem pressa para se tornar o melhor jogador do mundo, esta ambição ainda não está entre suas prioridades. “Eu nunca disse que quero ser o melhor jogador do mundo. Só penso em estar atuando nas melhores competições e isso hoje o Santos pode me oferecer”, afirmou o jovem durante o anúncio de sua permanência.

Apesar de ouvirmos muitas pessoas dizendo que ele pode ser eleito melhor do mundo atuando no Santos, sabemos que isso só seria possível se ele conquistasse a Copa do Mundo de 2014 jogando pela equipe da Baixada. Não se pode negar que em um ano sem Copa do Mundo, o que vale para determinar o melhor jogador é a Liga dos Campeões da Europa, campeonato que reúne as principais estrelas do futebol mundial.

Por enquanto a Bola de Ouro é de Lionel Messi. Em 2011 o argentino deve se tornar o primeiro jogador a receber o prêmio três vezes consecutivas.

Um estranho no ninho

Por mais que o futebol brasileiro esteja vivendo uma fase de transição, com o aumento substancial das cotas de televisão e patrocínios, não é certo se iludir e acreditar que de uma hora para outra deixaremos de ser exportadores e nos tornaremos compradores. Isso pode acontecer no futuro, mas por enquanto é irreal imaginar que equipes brasileiras comecem a gastar mais de 100 milhões de reais em reforços internacionais.

Por esta razão, é difícil entender a escolha de Neymar do ponto de vista do desenvolvimento de sua carreira. Não coloco em questão os motivos que levaram o jovem a permanecer, é absolutamente aceitável que ele esteja feliz no Santos e queira ficar perto de sua família, mas ele terá de entender que aqui não enfrentará os melhores e corre o risco inclusive de estagnar sua carreira. Por mais títulos que ele ganhe com o Santos, não é certo que ele desenvolva seu talento tanto quanto poderia se atuasse na Europa.

Entendo que um jogador do calibre de Neymar deveria ter a ambição de desenvolver seu talento ao máximo e, com isso, se tornar o melhor do mundo. Claro que quando se fala nisso, logo pensamos em Robinho, que foi para o Real Madrid convicto de que tinha tudo para ser o melhor jogador do mundo. Todos sabem que Robinho não fez por merecer o título, mas a decisão de ir para a Espanha tinha a razão profissional de desenvolver seu futebol com um objetivo maior.

Robinho no Real Madrid: desempenho satisfatório, mas abaixo do esperado.

Um dos argumentos utilizados por Luis Álvaro Ribeiro para convencer Neymar a seguir no Santos é a idade do jogador, que terá apenas 22 anos em 2014 e ainda terá muito tempo pela frente para buscar outros objetivos no futebol europeu. Além disso, o presidente santista afirma que a permanência de Neymar é um bem para o esporte brasileiro, pois é uma demonstração de força diante dos milhões de euros oferecidos pelos espanhóis e, mais do que isso, valoriza o esporte nacional.

Por outro lado, é legítimo pensarmos que um hipotético prêmio de melhor do mundo para Neymar atuando no Barcelona ou no Real Madrid também ajudaria a valorizar o futebol brasileiro. Isso se torna ainda mais importante em uma fase de poucos craques indiscutíveis criados em gramados tupiniquins. Os europeus já não estão convencidos de que o Brasil continua produzindo craques como Romário, Ronaldo e Ronaldinho.

É claro que Neymar teria de se esforçar muito para ser o melhor jogador do mundo, mesmo se atuasse na Espanha. A concorrência atual é pesada, com Messi e Cristiano Ronaldo quebrando recordes semanalmente. No entanto, jogar com os melhores é o caminho mais curto para se tornar o melhor.

Até agora, Messi e Neymar só se encontraram uma vez, no amistoso entre Brasil e Argentina. Em dezembro, os dois craques voltam a se enfrentar, mas com as camisas de seus clubes.

Uma chance de ouro 

Se o argumento de se tornar o melhor jogador do mundo não parece seduzir Neymar, o jogador pode não ter se dado conta de que está abrindo mão de uma oportunidade de ouro, que pode não aparecer novamente. O jovem de 19 anos teve a chance de fazer parte de um dos melhores times da história do futebol, o Barcelona de Messi, Iniesta, Xavi, Guardiola e tantos outros. Já é praticamente consenso entre os amantes de futebol que a equipe catalã, moldada na temporada 2008-09, atingiu um nível excepcional, que a coloca entre os grandes times da história.

Neymar, que costuma afirmar o prazer que tem em jogar bola, certamente ficaria encantado em fazer parte do Barcelona atual. E, mais do que isso, nós ficaríamos encantados!! Se o time já é uma máquina sem Neymar, imagina o que poderia ser se ele formasse dupla com Lionel Messi.

A camisa do Barcelona está à espera de Neymar.

“Mas Neymar vai ser coadjuvante para o Messi continuar brilhando?”, alguns podem perguntar. A resposta é “não”, o brasileiro vai brilhar ao lado do argentino, mesmo que Messi ganhe o prêmio de melhor do mundo no final de cada ano. Além disso, Neymar poderia se tornar uma espécie de sucessor de Messi, algo que aconteceu com o argentino depois da saída de Ronaldinho do Barcelona. O próprio Messi diz que aprendeu muito com Ronaldinho e que seu futebol evoluiu muito graças ao convívio com o craque brasileiro.

É bem verdade que Neymar poderia seguir para o Barcelona em 2014, ao final de seu compromisso com o Santos. Mas não é possível garantir que o Barcelona seguirá sendo o time fantástico que é atualmente. Xavi e Villa já serão veteranos, por exemplo, e até para o Barcelona é difícil manter um nível tão alto de competição por mais de cinco anos.

Para quem gosta de futebol, Neymar com a camisa azul-grená seria um prato cheio, mas por enquanto ele seguirá vestindo a lendária camisa santista. O contrato é válido até 2014, mas ninguém sabe o que pode acontecer depois do Mundial de Clubes. Em janeiro devem chover propostas por Neymar e, quem sabe, a chance de ver de perto a locomotiva catalã em ação pode mudar a posição do jovem jogador.

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Barcelona transforma utopia em realidade

Por Kim Paiva

Tenho 20 anos. Acompanho futebol seriamente há 12. Desde a chegada de Ronaldinho ao Barcelona, tenho acompanhado com atenção a equipe catalã. No liso gramado do Camp Nou, é praticado o futebol mais vistoso há pelo menos seis anos. Nesse meio tempo acompanhei a ascensão do gênio dentuço, que teria a chance de entrar no grupo de lendas do futebol em 2006, com a conquista de sua segunda Copa do Mundo. Infelizmente não aconteceu e, desde então, sua carreira tem sido melancólica. A saída de Ronaldinho me deixou em dúvida se o Barcelona teria condições de manter aquele padrão, ganhando títulos e encantando a todos. Hoje estou certo de que a equipe conseguiu isso e ainda melhorou o que parecia perfeito.

Posso dizer com tranquilidade que a partida entre Barcelona e Real Madrid da última segunda-feira foi a exibição mais perfeita que eu vi de um time enfrentando um adversário de nível similar. É difícil traduzir em palavras o que aconteceu no Camp Nou. Talvez o placar (5 a 0) seja o indício mais claro do massacre que aconteceu no jogo mais aguardado do ano.

"Mais que um clube". Poderia ser também "Muito mais que um clube"

O jogo

Não houve surpresas nas escalações. Embora se especulasse a escolha de Mascherano para reforçar a marcação no meio-campo, Guardiola não abriu mão de sua equipe titular e, principalmente, do estilo de jogo do Barcelona. Mourinho escalou sua equipe considerada ideal, mas inverteu o posicionamento de Di Maria e C. Ronaldo, visando evitar as perigosas investidas de Daniel Alves. Di Maria, com maior capacidade de recomposição, certamente era a melhor escolha para marcar o ofensivo lateral-direito, mas o jogo mostrou que esse detalhe acabou sendo indiferente.

Com a bola rolando a imposição do Barcelona foi imediata. Mourinho sabia que não poderia enfrentar o Barcelona de peito aberto, pois seria suicídio. Lembrando do sucesso que teve dirigindo a Inter, o técnico do Real Madrid prendeu seu time e esperou o Barcelona trocar passes na intermediária, esperando uma chance de partir no contra-ataque com Di Maria ou Cristiano Ronaldo. A surpresa do vitorioso treinador veio logo de cara, quando ficou claro que o Real Madrid não conseguia acompanhar a rapidez do Barcelona e o time da casa avançava como queria desde sua intermediária até a área do Real Madrid apenas com passes curtos e movimentação.

Pode-se dizer que essa facilidade do Barcelona é resultado de uma combinação de dois fatores. Primeiro, é preciso ressaltar que os volantes Xabi Alonso e Khedira, do Real Madrid, não são muito rápidos e tampouco são cães de guarda. A conseqüência imediata dessas características é a liberdade para Xavi e Iniesta trabalharem a bola no meio-campo, distribuindo o jogo sem qualquer dificuldade.

A revolução de Guardiola

Guardiola: craque como jogador e cada vez mais craque também como técnico

O outro fator, para mim o mais importante, é a versão 2010-2011 do Barcelona, que talvez tenha alcançado o esplendor da escola catalã – de posse de bola, movimentação e passes curtos. Isso se deve à mudança de posicionamento de Messi, à saída de Ibrahimovic e à chegada de David Villa.

Com Ibrahimovic, o Barcelona tinha um centroavante fixo na área, o que facilitava a vida dos zagueiros, já que eles tinham uma referência para realizar a marcação. Ainda assim, Messi era capaz de surpreender a marcação adversária, pois mudava de posição constantemente, indo de uma ponta à outra. Isso era possível porque Guardiola centralizou Messi, deixando os lados do campo para Pedro e Iniesta. Nos tempos de Rijkaard, Messi era um ponta-direita e não tinha tanta liberdade de movimentação.

Não cabe discutir se Rijkaard é melhor ou pior do que Guardiola, ambos são ótimos treinadores. O primeiro tinha Deco e Ronaldinho, o que tornava Xavi e Messi coadjuvantes. O segundo, sem os dois brasileiros, viu o crescimento do gênio argentino e capitalizou em cima disso, aproveitando-se do fato de conhecer profundamente os jogadores saídos das divisões de base do Barcelona, casos de Xavi, Iniesta, Busquets, Piqué, Pedro, Messi, entre outros.

Já na final da Champions League de 2009, Guardiola surpreendeu a todos escalando Eto’o na ponta-direita e Messi como centroavante. A escolha deu tão certo que Messi espantou o mundo ao marcar um gol de cabeça. Certamente Guardiola não estava louco colocando Eto’o na ponta, já que Mourinho repetiu a fórmula em 2010 para conquistar a Europa pela Inter de Milão.

 

Os 3 principais astros da equipe vão colecionando troféus

A passagem de Messi para a faixa central foi o início de uma revolução, que se intensificou na temporada atual. Se em 2009-10 o Barcelona atuou num 4-2-3-1, na temporada atual o time retomou o seu tradicional 4-3-3. Porém esse Barcelona que tem Pedro como ponta-direita, David Villa como ponta-esquerda e Messi como centroavante não pode ser simplesmente traduzido em três números que descrevem quantos jogadores atuam em cada faixa do campo. Pedro e Villa podem mudar de posição a qualquer momento, seja invertendo o lado, seja se infiltrando como centroavante. Messi, que seria teoricamente o camisa 9, sai toda hora da área, deixando os zagueiros sem saber o que fazer.

Villa, que possui um enorme poder de finalização, tem muita familiaridade com o comando do ataque, por isso ocupa aquele espaço com competência. Quando isso acontece, Iniesta aparece do lado esquerdo para ocupar aquela faixa do campo. Do outro lado Daniel Alves é responsável por ajudar Pedro no apoio. Tudo isso sob a batuta do regente Xavi, que tem o controle absoluto do jogo e distribui as bolas ora com rapidez ora com cadência, de acordo com a conveniência para o time. Messi, que pouco fica na área, ajuda Xavi na criação e flutua por todas as posições ofensivas.

Como se não bastasse isso, os defensores Pique e Puyol têm confiança para trocar passes e fazem isso com naturalidade. Nem mesmo o goleiro Victor Valdes apela para chutões. A bola vai de pé em pé de um lado a outro do campo. Parece virtual.

“Melhor do que tá não fica”

David Villa, a peça que faltava para dar vida à revolução tática de Guardiola

Se considerarmos a evolução do futebol nos aspectos físico e tático, torna-se ainda mais notável a postura do time dirigido por Guardiola. Atualmente é muito raro um time se impor de forma tão categórica sobre um adversário de bom nível. A média de posse de bola do Barcelona é incomparável e o mais incrível é que os jogadores tocam sempre em velocidade e buscando o gol. O ritmo é frenético, o que teoricamente aumenta o risco de perder o controle da bola.

Após jogos como o de segunda-feira, é comum aparecerem comentários do tipo “isso sim é futebol”. Claro que é preciso fazer ressalvas em relação a essa afirmação, já que há outras formas de se jogar futebol, cada uma de acordo com as características dos jogadores do plantel.

No caso do Barcelona, a tendência para esse tipo de plano tático vem de muito tempo atrás e o plantel atual conta com muitos jogadores técnicos e, principalmente, formados em casa. O entrosamento é antigo, por isso é de se esperar que o futebol praticado seja do mais alto nível, sempre priorizando o controle da bola e tentando sufocar o adversário. Faltava ainda um grande teste para o novo esquema armado por Guardiola e o Real Madrid do badalado José Mourinho era o adversário certo para testar o potencial desse incrível esquema do Barcelona.

Os cinco gols sofridos pelo Real Madrid foram o primeiro forte indício de que o atual Barcelona é o time do momento e é bom prestarmos atenção nessa equipe, pois pode ser mais um daqueles times a entrarem para o hall dos grandes esquadrões. Atual bicampeão espanhol e campeão da Champions League de 2009, o Barcelona vai atrás de todos os títulos na atual temporada.

O time de Messi e companhia fez 5 gols no time de Mourinho, técnico que jamais havia perdido por uma diferença superior a três gols. O português é capaz de montar sistemas defensivos extremamente eficientes e por isso seus times costumam tomar poucos gols. Desta vez, porém, não houve mágica que resolvesse. A equipe dirigida por Mourinho ficou desnorteada diante do utópico futebol praticado pelo Barcelona. Não há como culpar o português, mesmo que ele optasse por um volante mais ágil não mudaria tanto a situação. Coube a ele apenas se juntar à massa e aplaudir de pé a orquestra azul-grená. Da minha parte, além dos aplausos, fica o agradecimento aos “Guardiola Boys”, que me lembraram porque um dia eu me encantei por um esporte chamado futebol.

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Crônica: Muricy Ramalho é o novo técnico do Barcelona

Por Kim Paiva

 

 

 

 

 

 

Calma, isso não é uma notícia. É apenas uma crônica que mostra uma situação hipotética em que Muricy Ramalho assume o comando técnico do Barcelona. Gostaria de ressaltar que a crônica não expressa a minha opinião sobre Muricy, na verdade é uma caricatura desse grande técnico brasileiro.

Antes que a temporada 2011-12 se iniciasse, o presidente do Barcelona Sandro Rosell anunciou a saída de Josep Guardiola e surpreendeu a todos. Rosell argumentou que o técnico espanhol estava desgastado e que muitos atletas seguiram o exemplo de Ibrahimovic, contestando publicamente as decisões de Guardiola.

É claro que a notícia paralisou o mundo do futebol, que viveu intensamente a expectativa de quem teria a honra de treinar o time de Messi, Xavi, Villa e Cia. Falou-se em Mourinho, que poderia repetir Luís Figo ao avesso, trocando o Bernabéu pelo Camp Nou. O que se viu, no entanto, foi uma repetição do que houve com o Real Madrid em 2005, quando a equipe contratou um técnico brasileiro. Agora, porém, em vez de trazer o decadente Vanderlei Luxemburgo, Rosell optou pelo técnico da moda, que disse não à seleção brasileira e ainda conquistou seu quarto título brasileiro em cinco anos, com o Fluminense. Muricy Ramalho chegava, assim, ao comando do Barcelona.

O brasileiro não pôde conter a alegria ao desembarcar no maior time do mundo, que, como os barcelonistas dizem, é “més que um club” (mais que um clube). O primeiro dia de clube foi uma festa só. Desde a apresentação, com direito a embaixadinhas e tudo (o pessoal de lá foi informado da grande qualidade de Muricy como jogador), até a coletiva de imprensa, ótima oportunidade para Muricy repetir insistentemente que estava honrado pela oportunidade de treinar o Barcelona.

Porém esse foi apenas o começo do primeiro dia, que seria longo e prometia fortes emoções para o treinador. Não tanto pela pressão da torcida ou da diretoria, mas pelas próprias idéias de Muricy, um pouco diferentes do modo Barcelona de jogar futebol.

No fim da tarde, quando a imprensa já havia deixado o Camp Nou, Rosell levou o novo técnico para dar uma volta pelo lendário estádio do Barcelona. Como era de se esperar, os dois conversaram informalmente sobre a montagem do elenco para a temporada seguinte e sobre os jogadores admirados pelo técnico brasileiro. Foi aí que o coração dos dois começou a bater mais forte.

– Muricy, vamos pegar como base nosso time titular da temporada passada e ver onde podemos melhorar. O que você pensa de nosso goleiro Victor Valdés?

– Olha, Sandro, o Valdés é bom goleiro, mas creio que a gente possa encontrar melhores opções.

– É, realmente, Muricy. Nesse ponto vejo que concordamos. E nossos laterais, Dani Alves e Maxwell?

– Bom, o Daniel é ótimo no apoio ao ataque, mas ele é mais um meia-atacante ou segundo atacante. E o Maxwell tem que ser um meia bem aberto pela esquerda. Se os dois ficarem nas laterais vão nos deixar muito desprotegidos atrás. É um risco enorme!

Nessa hora Sandro Rosell começou a estranhar as idéias de Muricy, mas até relevou por saber que Daniel e Maxwell chegaram a atuar no meio-campo.

– Realmente o Daniel é quase um meia muitas vezes. Mas de minha parte você pode ter certeza que terá respaldo para escalar os dois pelas laterais. Eu assumo o risco, se é que existe esse risco todo que você diz.

– Sandro, aquele 1º volante, o Sergio Busquets, vai ser muito importante no meu time por causa de sua altura. Vou usá-lo bastante em bolas paradas.

Rosell não entendeu muito bem, já que as bolas paradas definitivamente não eram prioridade no Barcelona, mas acabou concordando que Busquets tem uma altura interessante para o jogo aéreo.

– Acho que sobre a dupla de meias não preciso nem comentar, certo Muricy? Iniesta e Xavi são verdadeiras referências no futebol atual.

– Não é bem assim, né Sandro? Eles podem até ter um bom toque de bola e tudo mais, porém são muito baixinhos e franzinos. Não posso garantir que vou manter os dois no time titular. Como que fica na bola parada com dois jogadores tão baixos? Não tem como, pô. Eu indicaria para o lugar de um deles o Edinho, grande volante que trabalhou comigo no Internacional e no Palmeiras. Garanto que ele pode manter a qualidade do passe e contribuir com mais força física e altura.

Nessa hora Sandro Rosell viu que as coisas não caminhavam bem e aquela conversa prometia mais emoções do que um clássico contra o Real Madrid.

– Bom, nesses dois jogadores eu devo adiantar que você não poderá mexer. Eles são o motor do time e a torcida os adora. Nosso atacante David Villa também não é nenhum gigante, não vá me dizer que você pretende trocá-lo também…

– Mas é claro que pretendo. Como que um baixinho de 1,75 m pode ser o centroavante do meu time? Ele será um jogador de segundo tempo e olhe lá. O camisa 9 que eu indico a você é o Washington, do Fluminense. Ele tem 1,90 m e é muito experiente, será mortal nas bolas paradas ofensivas e vai ajudar a defender nos escanteios do adversário, além de ser um jogador muito técnico. E a dupla de ataque dele vai ser o Hugo, que trabalhou comigo no São Paulo. É o cara mais decisivo que eu já vi, acerta chutes inacreditáveis de fora e talvez seja o melhor cabeceador do futebol mundial.

– Não, Muricy. Pode esquecer. Nós gastamos 40 milhões de euros no Villa e ele fez mais de 30 gols em sua temporada de estréia. Vai ser nosso atacante de referência.

– Fazer o que, né… Vamos tentar com ele. Mas tem um jogador que eu realmente não vou poder manter na equipe, porque é muito fraquinho e não tem nenhuma condição no jogo aéreo. É o argentino, driblador, acho até que ele é o camisa 10 do time.

Rosell começou a suar frio e deu uma afrouxada na gravata para tentar relaxar.

– Calma, Muricy, deve estar havendo um engano. Nosso camisa 10 é o Messi, jogador genial, melhor do mundo incontestavelmente. Você ta falando dele?

– Sim, ele mesmo. Você pode botar na lista de dispensa. Pra vestir a camisa 10 do meu time eu quero o Diego Souza, que já teve uma passagem muito bem-sucedida pela Europa, no Benfica. Ele é forte, tem um chute potente e bom cabeceio. É mais completo que o Messi. Será o meu armador.

A essa altura Rosell já havia aberto três botões de sua camisa e o desespero tomava conta do presidente do Barcelona. Ele ainda queria acreditar que era um engano ou uma brincadeira de Muricy Ramalho.

– Peraí, você não está falando sério. Vamos deixar de piadinhas e conversar seriamente. Já que você ta fazendo gracinha sobre os jogadores, vamos falar sobre o esquema tático. Você vai manter o nosso tradicional 4-3-3 ou pretende mudar algum detalhe?

Muricy não gostou do tom de Rosell e ficou irritado com a postura do presidente.

– Olha Sandro, se você acha que eu vim aqui para brincar, você está muito enganado. Não sou técnico de ficar fazendo piadinha, meu negócio é trabalho. E sobre o esquema, eu digo desde já que time que eu treino não joga em qualquer esquema que não seja o 3-5-2. E EU NÃO ESTOU DE PIADINHA.

Nessa hora Sandro Rosell não suportou a tensão e acabou tendo um AVC.

Logo em seguida chegaram os médicos e Rosell se recuperou a tempo de trocar mais algumas palavras com o técnico brasileiro.

– Muricy, eu lamento o engano, mas creio que você não seja o técnico que procuramos para o Barcelona. Você não é mais nosso técnico. E EU NÃO ESTOU DE PIADINHA.

Muricy ficou desolado, mas ainda teve força para estender o braço em respeito a Rosell. O presidente do Barcelona ignorou o gesto e não se dignou a apertar a mão do brasileiro, que ficou ainda mais desolado por ser humilhado novamente por um dirigente em menos de dois anos.

Assim terminava a curta aventura de Muricy Ramalho na Catalunha. Na volta ao Brasil, todos os jornalistas estavam curiosos para saber o que havia acontecido. Muricy foi direto ao ponto e esclareceu tudo com uma frase: “Espanhol não entende nada de futebol.”

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Nani é o cara do Manchester United!

Hoje, pela 10ª rodada da Premier League, Nani mais uma vez ajudou o Manchester United a conquistar a vitória. Deu uma assistência em cobrança de falta para Vidic fazer o primeiro e marcou o polêmico segundo gol. Com Rooney machucado, Nani tem sido o ponto de referência do time nesta temporada.

Nani começou sua carreira no Sporting de Portugal, e com 20 anos foi para o Manchester United, por 25,5 milhões de euros, em 2007. Quatro anos antes, o time inglês havia assinado com Cristiano Ronaldo, vindo do mesmo Sporting.

Nani foi ganhando espaço aos poucos no time, e muitas vezes tinha atuações irregulares. Às vezes jogava muito, às vezes não jogava nada. Com a saída de C. Ronaldo para o Real Madrid em 2009, Nani ganhou mais espaço, e de quebra o peso de ser o “novo” Cristiano Ronaldo do time. Ele ainda está longe dessa comparação, mas vem tendo ótimas atuações nessa temporada, ajudando o time a suportar a Rooney-dependência.

Nani é o líder de assistências do campeonato com 8 passes para gol. Marcou outros 4. Ou seja, participou diretamente de 12 dos 22 gols do Manchester United no campeonato. Mais da metade.

Hoje, inclusive, marcou um gol polêmico. O Manchester ganhava de 1 a 0 contra o Tottenham, e o time visitante armava uma pressão para arrancar o empate no final do jogo. Em certo lance, Nani invadiu a área e caiu ao ser tocado. Não foi pênalti, mas o português caiu e, no chão, tocou e segurou a bola com a mão para cavar a penalidade. Gomes, o goleiro dos Spurs, pegou a bola e posicionou-a a frente para bater a falta cometida por Nani ao tocar a bola com a mão. O juiz, porém, não havia marcado a falta, e Nani aproveitou a distância que Gomes havia dado para cobrar a falta e chutou-a para o gol livre. Muita confusão, conversa do árbitro com o bandeira, e o gol foi validado. O jogo ficou nos 2 a 0.

Com a vitória, o Manchester foi para 20 pontos e segue na perseguição ao Chelsea, líder com 25. Será que a Rooney-dependência virou Nani-dependência? Bom, até que Rooney volte, Nani é o cara do Manchester United!

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Rooney: o amor nunca acaba

Sempre fiquei muito surpreso ao ver que o Rooney ia sair do Manchester United. Nunca havia imaginado ou pensado por um segundo em ver o Shrek em outro clube. Porém, com os últimos acontecimentos, estava certo para mim de que ele sairia.

Mas hoje, ao acordar, tenho outra surpresa. Rooney renovou com o United até 2015! Que olé de Rooney no mundo inteiro! Ele declarou: “Estou encantado por renovar meu contrato com o Manchester. Nos últimos dias, conversei com o treinador e com os donos da equipe e eles me convenceram que este é o lugar a qual pertenço. Eu disse na quarta que o técnico é um gênio e sua confiança e apoio me convenceram a ficar“, como se nada houvesse acontecido.

O fator torcida também pode ter pesado. Acredite: a vida de Rooney não seria fácil se ele se mudasse para outro clube inglês, ainda mais o City. Ontem e hoje torcedores foram na frente da casa de Rooney para “protestar”. Ontem até havia uma faixa ameaçadora: “Se você for para o City, você vai morrer”.

Há certos jogadores que tem identificação com um clube. Rooney é um deles. Acredito que tomou a atitude certa. Longa vida a Rooney no Manchester United, onde é o seu lugar.

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